Bixiga 70 (São Paulo, Brasil)

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Bixiga 70 (São Paulo, Brasil)

Som leve e dançante. Pronto. Essa é a melhor definição do Bixiga 70, que vem desde sem homônimo álbum de estreia, em idos de 2011, buscando um som cada vez mais acessível e, ao mesmo tempo, sofisticado. 

A banda é formada por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Rômulo Nardes e Gustávo Cék (percussão), Cuca Ferreira (sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete).

Um dos principais destaques é a utilização de ritmos nacionais, mesmo que palatinalmente. Não é rock. Não é brasileiro. Não é do mundo. É algo divertido e multicultural. E vale cada minuto. E cada passo de dança dado.

A banda está lançando 'Bixiga 70 III', com download gratuito no site, onde você também encontra os outros álbuns. Confira;




Mais informações;

http://www.bixiga70.com.br/

Discoteca Básica, 'Talking Book', Stevie Wonder (1972)

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Discoteca Básica, 'Talking Book', Stevie Wonder (1972)

Há uma piada dos irmãos Marx que define bem a situação de Stevie Wonder na gravadora Motown. Em Uma Noite Em Casablanca, Groucho Marx encama um diretor de hotel que decide trocar os números dos quartos dos hóspedes. Quando um deles reclama que aquilo seria "uma loucura", Groucho replica: "Mas também seria uma diversão dos diabos!"

A maior "loucura" de Stevie Wonder chamou-se Talking Book e cristalizou a independência do cantor em relação aos padrões rígidos da Motown. Até então, na gravadora americana,as músicas deveriam ter três minutos –no máximo-e abordar nas letras temas como o amor e futilidades. Wonder queria ter controle total de suas produções e ainda a liberdade para fazer as músicas que quisesse,com a duração que bem entendesse.

Com o passar dos anos,essa exigência ficou cada vez mais cara para os cofres da gravadora e ainda menos rentável com a perda de prestígio de Wonder. Mas pelo menos ele conseguiu emplacar diversas obras-primas.

Talking Book veio mostrar um artista maduro aos 22 anos,brincando com uma invenção dos anos 70,o sintetizador – que foi descoberto em Music Of My Mind,seu disco anterior,também de 72.


Os instrumentos em que Wonder não meteu a mão foram tocados por gente da categoria de Jeff Beck ( o solo de guitarra em "Lookin' For Another Pure Lave") e do saxofonista David Sanbom ("Tuesday Heartbreak"). As letras, em sua maioria, falavam da separação de Wonder e Syreeta Wright, da descoberta de um novo amor pelo compositor, de política e misticismo.
"Superstition" foi o maior hit do disco e quase virou um sucesso com Jeff Beck. Wonder havia cedido a música para o guitarrista e se recusava a lançá-Ia em single. "Você está louco? Esta canção tem de promover o álbum", rebateu o pessoal da Motown. Não é preciso ser nenhum gênio para apostar no sucesso da música.

Basta ouvir a introdução, com a marcação forte da bateria e o sintetizador de Wonder. O resultado foi um estremecimento da amizade entre o temperamental Beck e o cantor/compositor.

A relação entre Wonder e Syreeta foi destrinchada em "Maybe Your Baby" , "Tuesday Heartbreak", "You've Got It Bad Girl" e "Blame It On The Sun". Na primeira, Wonder colocava para fora os fantasmas do ciúme e da solidão, com timbres estranhos de sintetizador e os wah wahs da guitarra de Ray Parker, Jr. (que depois fez um pífio trabalho-solo).

"Tuesday" é uma visão irônica sobre o fim de uma relação e na letra de "Blame It On The Sun", co-escrita com Syreeta, ele busca uma resposta para o fim do amor entre os dois. Mas ele colocava uma certa esperança no disco. "You Are The Sunshine Of My Life" nasceu de seu namoro com a vocalista Gloria Barley, que dividiu os vocais com ele na música. E para quem duvidava de sua capacidade em temas políticos, Wonder rebateu com "Big Brother" - paralelo entre o "Grande Irmão" de 1984, livro de George Orwell, e o pouco caso do governo americano em relação aos negros.

Quem acha que ele é só baladeiro, tem aqui a prova de seu gênio.   

Sérgio Martins (Revista Bizz, edição 110,Setembro de 1994) 

Tracklist

1. You Are The Sunshine Of My Life 2:45

2. Maybe Your Baby 6:45
3. You And I (We Can Conquer The World) 4:39
4. Tuesday Heartbreak 3:09
5. You've Got It Bad Girl 4:55
6. Superstition 4:40
7. Big Brother 3:35
8. Blame It On The Sun 3:28
9. Lookin For Another Pure Love 4:45
10. I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever) 4:48


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Desconstruindo o Pop! Playlist 90; 'All you touch and all you see, is all your life will ever be'

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Desconstruindo o Pop! Playlist 90; 'All you touch and all you see, is all your life will ever be'

Tracklist

01. 'Lazy Line Painter Jane', Belle & Sebastian
02. 'Cracked Actor' (Live), David Bowie
03. 'Cool it Down', The Velvet Underground
04. 'I Want You', The Troggs
05. 'Slippin' & Sliddin', Little Richard
06. 'Shakin' All Over', Vince Taylor
07. 'You Belong to Me', The Flat Duo Jets
08. 'Beast of Burden', The Rolling Stones
09. 'On Your Own' (Acoustic Version), The Verve
10. 'Single', The Pony Club
11. 'Just', Radiohead
12. 'Tom Courtenay', Yo La Tengo
13. 'Please, Please, Please', Mitch Ryder & The Detroit Wheels
14. 'Baby Scratch My Back', Booker T & The MG's
15. 'Don't Get Me Wrong', Pretenders
16. 'Vow', Garbage
17. 'Needle In the Camel's Eyes', Brian Eno
18. 'Lust For Life', Iggy Pop
19. 'Rock Steady', Aretha Franklin
20. 'Hey!', Pixies

As Favoritas de... James Hetfield (Metallica)

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As Favoritas de... James Hetfield (Metallica)

James Hetfield revelou à edição de dezembro de 2004 da Rolling Stone quais são suas 10 músicas preferidas de todos os tempos, e explicou o porque de sua escolha. A Lista é bem cliché, mas é inegavelmente boa e surpreendentemente clássica . Para completar a lista, vamos com algumas originais de covers que o Metallica fez ao longo dos anos. Confira;


01. 'Free Bird', Lynyrd Skynyrd - "Nada supera esta balada. 'Free Bird' se encaixa nos 20 primeiros anos de estrada da minha vida - sem se ligar muito às coisas, viver o agora e prosseguir."

02. 'Stairway to Heaven', Led Zeppelin - 
"Quando eu consegui meu primeiro violão, eu tirei o dedilhado inicial dela, e sai correndo pela casa dizendo, 'Olha isso - eu consigo tocar isto!' Minha família ficou com cara de 'Cadê o resto da música?'"

03. 'Jailhouse Rock', Elvis Presley - 
"Eu me lembro de o ver pulando sobre barras com todos os seus colegas. Ela encapsula rebelião, o que é na verdade criatividade sem rumo."

04. 'Behind Blue Eyes', The Who - 
"Essa música passa todo aquele sentimento de angústia do jovem. Ela fala sobre pedir ajuda, mas sem realmente querer. Me lembra muito de mim mesmo."

05. 'Candle in the Wind', Elton John - 
"'Saturday Night's All Right For Fighting' era mais meu estilo, mas poucas músicas conseguem alcançar esta melodia."

06. 'God Only Knows', The Beach Boys - 
"Eu comecei a ouvir Beach Boys de novo há uns seis meses. Eu cresci no sul da Califórnia; pra mim, esta música fala sobre algo mais."

07. 'Yesterday', The Beatles - 
"Ela se ligou instantaneamente comigo. Ela faz você pensar."

08. 'Black Sabbath',  Black Sabbath - 
"Esta música me assustou. Ela é muito mais que pesada."

09. 'Smells Like Teen Spirit', Nirvana - 
"Quando toda aquela onda "Hair Metal" dos anos oitenta estava sendo exaltada, o Nirvana veio com seu som de garagem empolgante e um grande gancho. Era o que a música precisava."

10. 'The Boys Are Back In Town', Thin Lizzy - 
"Phil Lynott nunca teve medo de escrever a partir do coração, mesmo se fosse meio meloso. Thin Lizzy inspirou muito as harmonias de guitarra do Metallica."

Completando a lista;

11. 'Stone Cold Crazy', Queen
12. '53rd & 3rd', Ramones
13. 'You Really Got Me', The KInks
14. 'Sweet Jane', Velvet Underground
15. 'When a Blind Man Cries', Deep Purple
16. 'Loverman', Nick Cave & The Bad Seeds
17. 'The Wait', Killing Joke


O Mundo Maravilhoso das Capas de Disco; 'London Calling', The Clash (1979)

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O Mundo Maravilhoso das Capas de Disco; 'London Calling', The Clash (1979)

Certamente uma das imagens mais icônicas capas da história do rock. Nada mal para uma foto fora de foco! Este álbum duplo do Clash foi o seu terceiro,, após o fracasso retumbante de "Give 'Em Enough Rope". "London Calling" não só se tornou um enorme sucesso, apesar de seu tamanho, mas também um marco que determinou o fim do período de Punk, abrindo uma fase mais, digamos, 'social' da banda.

Em um ponto de vista de design gráfico, a primeira coisa a dizer é que antes de se tornar uma capa seminal, esta obra começou como uma homenagem da banda para Elvis Presley: eles queriam prestar tributo ao rei, e o fizeram parodiando a capa de seu álbum de estréia, de 1956.


As duas imagens se conectam na energia da sinceridade; Enquanto uma mostra alguém perdido na sua música de maneira romântica e idealizada, a segunda mostra alguém quebrando esse paradigma. Destruindo algo bonito. Como uma pedrada. A violência do ato de quebrar seu instrumento mostra exatamente a proposta do álbum; Quebrar barreiras impostas pelo sistema.

O lay-out é trabalho do famoso cartunista Ray Lowry e a foto foi tirada por Pennie Smith, no dia 21 de setembro de 1979, durante um show no Palladium, em Nova York. No começo, ela pensou que a imagem era muito fora de foco para uma possível capa, mas Ray Lowry e  o vocalista/guitarraista Joe Strummer insistiram em usá-la. A imagem mostra o baixista Tim Simonon quebrando sua Fender Precision Bass no palco. Pennie Smith mais tarde lembrou que, após o fim do show, ela sentiu Tim estava se aquecendo, e que algo estava para acontecer. o que aconteceu foi o melhor foto da história do Rock em todos os tempos, segundo os leitores da  Q Magazine em eleição promovida em 2002.


O resto do lay-out é menos interessante: o álbum veio como uma capa dupla que se espalha adentro através das letras e dos créditos, tudo desenhado a mão e acompanhado por algumas fotos da banda.

Apesar de ter sido adotada pelo establishment do rock bem cedo, vale lembrar que a imagem representava justamente o oposto, indo de contra ao espírito purista que regia o rock at é o surgimento do Punk Rock no meio dos anos setenta. 


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Autobahn (Leeds, Inglaterra)

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Autobahn (Leeds, Inglaterra)

O nome dá uma dica, mas não entrega o jogo; O quinteto de Leeds formado por Craig Johnson (vocais), Gavin Cobb (guitarrra), Michael Pedel (guitarra), Daniel Sleight (baixo), Liam Hilton (bateria) tem sim influências do krautrock alemão dos anos setenta. Porém, é muito mais fácil identificá-los em  bandas que também foram influenciadas pelo estilo, principalmente no início dos anos oitenta, como Sisters of Mercy, Mission, Bauhaus e, claro, Joy Division.

A banda acabou de lançar seu primeiro álbum, 'Dissemble', pela Tough Love Records e seguem em turnê pelo Reino Unido.

Confira a faixa 'Impressionis'.



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Discoteca Básica; 'Secos & Molhados', Secos & Molhados (1977)

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Discoteca Básica; 'Secos & Molhados', Secos & Molhados (1977)

Em plena era repressiva brasileira, nos governos de Médici e Geisel, foi que surgiram aqueles pavões maquiados rebolando e cantando: "Vira homem, vira, vira lobisomem ... ".

Escândalo total! "Bichas" para alguns, "revolucionários" para outros, viraram um dos mais importantes grupos do rock nacional e a maior manifestação glitter do país. E por trás das suas máscaras existia uma singela fusão de MPB, folk, poesia reflexiva e androginia.

Tudo começou em 71: o jornalista e poeta português João Ricardo convidou o músico Gerson Conrad e o hippie e cantor de coral Ney De Souza Pereira para um projeto que queria unir o rock à MPB.A presença cênica exótica e sensual de Ney-que adotou o sobrenome mato grosso, devido ao seu estado de origem-chamou a atenção e o trio foi contratado pelo selo Continental, lançando o primeiro disco em 73. Ali, contaram com uma ótima banda de apoio que incluía Wílly Verdaguer no baixo e Zé Rodrix no piano, ocarina e sintetizador.

Poesias de Vinícius De Moraes ("Rosa De Hiroshima") e de Manuel Bandeira("Rondó Do Capitão") foram utilizadas, mas o forte estava nos depurados vocais de Ney e nos poemas de João Ricardo, que às vezes repartia a autoria com o pai, João Apolinário, e outros compositores. 



As veias abertas da América Latina' eram cutucadas ("Sangue Latino"), questões sociais discutidas ("Mulher Barriguda"), ou então "simples e suaves coisas" eram cantadas em "Amor". "O Vira" - maior hit deles - trazia a ascendência lusitana mesclada ao folclore do Brasil. 

Aqui, a expressão "carreira meteórica" é bem apropriada: em um ano, eles foram o fenômeno musical brasileiro: milhares de cópias vendidas, estádios lotados e até uma turnê pelo México, televisionada para os Estados Unidos - de onde supõe-se que o Kiss copiou as maquiagens deles. Mas, logo após o segundo álbum, o grupo encerrou suas atividades. 
Ney saiu em 74,por discordar de João Ricardo no controle autoral e financeiro.Daí partiu numa bem-sucedida carreira solo,mais voltada para a MPB.Seus outros dois companheiros nunca mais tiveram o mesmo êxito nos esforços individuais.

Em 77,houve uma tentativa frustrada de volta,com o cantor Lili Rodrigues - de timbre semelhante ao de Ney –mas que não vingou,bem como a “reencarnação” de 80,capitaneada novamente por João Ricardo.Afinal,continuar o grupo sem o carisma da sua atração principal,foi como a banda The Doors prosseguindo sem Jim Morrison: João podia ser o cérebro,mas Ney era o coração. 

Sérgio Barbo (Revista Bizz, edição 112,Novembro de 1994) 

Tracklist:

01. 00:00 . Sangue Latino 
02. 02:08 . O Vira
03. 04:23 . O Patrão Nosso de Cada Dia
04. 07:44 . O Amor
05. 10:01 . Primavera nos Dentes
06. 14:52 . Assim Assado
07. 17:52 . Mulher Barriguda
08. 20:30 . El Rey
09. 21:30 . Rosa de Hiroshima
10. 23:32 . Prece Cósmica
11. 25:32 . Rondó do Capitão
12. 26:37 . As Andorinhas
13. 27:37 . Fala