Favoritas da Casa; Top 20 Lados 1, faixas 1 (Parte 1)

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Favoritas da Casa; Top 20 Lados 1, faixas 1 (Parte 1)


Inspirado por essa cena do filme "Alta Fidelidade", de 2000, resolvi montar o meu Top 20 com as melhores músicas de abertura de discos. Ou melhor; Lados A, Faixas 1. Sim, da época que ainda se ouvia discos por inteiro... Vamos a primeira parte; 

  


20. “Break On Through (To The Other Side)” The Doors

Lançada em 1 de Janeiro de 1967. Faixa 1 de "The Doors", 1967.

Referências; “What I’d Say” by Ray Charles; “Shake Your Money Maker” by Paul Butterfield (Elmore James Cover); “Mellow Down Ease” by Little Walter

Curiosidade; Em 1993, durante a cerimônica do Rock'N'Roll Hall Of Fame, os Doors remanescentes se uniram a Eddie Vedder, do Pearl Jam, para celebrarem a sua indução ao museu. Após esta oportunidade, a banda resolveu continuar com as turnês caça níqueis, só que com gente como Scott Weiland (ex-Stone Temple Pilots e Velvet Revolver) e Ian Astbury (ex- The Cult) nos vocais. 




19. “1969” The Stooges
Lançado em 5 de agosto de 1969, Faixa 1 de "The Stooges", 1969.


Referências: “Bo Diddley” by Bo Diddley

Curiosidade: Em 1988, o U2 compôs "Desire", faixa claramente inspirada em Bo diddley, inspirador da faixa dos Stooges. Cansado das comparações, Bono resolveu citar "1969" durante as performances ao vivo da canção, durante a "Lovetown Tour", de 1989.




18. “Dirty Boots” Sonic Youth
Lançado em 25 de abril de 1991, Faixa 1 de "Goo", 1990

Referências: “I’m Waiting For The Man” by The Velvet Underground, “Boss Hoss” by The Sonics

Curiosidade; O Sonic Youth foi um dos grandes incentivadores no início da carreira do Nirvana, os convidando para abrir os shows da turnê deste disco. Reparem na camiseta do Nirvana da garota do vídeo. Detalhe; Meses antes do estouro de "Nevermind", em setembro de 1991.




17. “Chain Of Fools” Aretha Franklin

Lançado em 14 de janeiro de 1968, Faixa 1 de "Lady Soul", 1968.

Referências: “Shortening Bread Rock” by Etta James, “Chain Of Fools” by Don Covay (Original Recording)

Curiosidade; Don Covay, o compositor original de "Chain Of Fools", nunca obteve o sucesso que suas canções conseguiram. Além desta e de "See Saw", também famosa na voz de Aretha, é dele também "Mercy Mercy", famosa com os Rolling Stones.





16. “Angel” Massive Attack Featuring Horace Andy
Lançada em 20 de abril de 1998, Faixa 1 de "Mezzanine", 1998.

Referencias: “You Are My Angel” by Horace Andy

Curiosidade; Esta, apesar de poucos saberem, é uma faixa inspirada em outra originalmente gravada pelo cantor de dub Horace Andy, que faz os vocais nesta. Originalmente gravada na década de 60, "You Are My Angel" é um reggae climático e cadenciado que inspirou o trio de Bristol nesta canção.





15. “Block Rockin’ Beats” The Chemical Brothers
Lançada em 24 de março de 1997, Faixa 1 de "Dig Your Own Hole", 1997.

Referências:
“Them Changes” Bernard Purdie, “Gucci Again” Schooly D, “Coup” 23 Skidoo 

Curiosidade; Esta faixa nada mais é do que um amontoado de samples de outras faixas picotadas e reeditas ao ponto de se tornarem novas. A grande sacada do movimento de música eletrônica durante os anos noventa era justamente esse; Tudo seria reciclado e reinventado.




14. “The Cutter” Echo & The Bunnymen
Lançado em 14 de Janeiro de 1983, Faixa 1 de "Porcupine", 1983.

Referência;
“Soul Kitchen”, The Doors 

Curiosidade; Pode não parecer muito, mas o Echo tem muito dos Doors em suas composições. Reparem no andamento das duas faixas. Durante os anos noventa, a banda chegou inclusive a gravar uma versão dela.




13. "Let's Stay Together", Al GreenLançado em 23 de dezembro de 1971. Faixa 1 de "Let's Stay Together", 1972. 

Referencias: “Cupid", Sam Cooke 

Curiosidade; Al Green possui uma das vozes mais doces e fortes do R&B. Ídolo de gente como Lou Reed (ex- Velvet Underground), Brian Eno e Bryan Ferry (ex-Roxy Music) e Bono do U2. Aliás, basta ouvir "In a Little While", faixa de 2000 da banda para notar a semelhança. Inclusive, o U2 chegou a escrever uma "The First Time" para Green, que acabou não sendo utilizada por ele. A banda reescreveu a canção e a utilizou no álbum "Zooropa", de 1993.



12. "Debaser", Pixies 
Lançado em 22 de setembro de 1989. Faixa 1 de "Doolittle", 1989. 

Referencias: “Damaged Goods", Gang Of Four 

Curiosidade; Segundo o vocalista Black Francis (atual Frank Black), a faixa é inspirada no filme "Un Chien Andalou", que contou com a colaboração do pintor e artista surrealista
Salvador Dalí




11. “Lust For Life” Iggy Pop
Lançada em 29 de agosto de 1977, Faixa 1 de "Lust For Life", 1977.

Referências
: “You Can’t Hurry Love” The Supremes, “I’m Ready For Love” Martha & The Vandellas. 

Curiosidade: Apesar das óbvias similaridades com as duas canções citadas acima, essa faixa acabou inspirando duas outras lançadas anos depois; “Are You Gonna Be My Girl?”, dos australianos do Jet e “Selfish Jean” dos escoceses do Travis.

(Semana que vem, a parte 2)

Discoteca Básica; 'The Queen Is Dead', The Smiths (1986)

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Discoteca Básica; 'The Queen Is Dead', The Smiths (1986)


TaIvez ainda seja cedo demais para avaliar o verdadeiro impacto dos Smiths na história do rock' n 'roIl e da cultura pop. Poucas vezes foi tão rápido e fácil conquistar a adulação simultânea de público e crítica, pelo menos na velha Grã-Bretanha. E as primeiras manifestações mágicas da parceria Morrissey/Marr - singles preciosos como "Hand In Glove" e "What Difference Does It Make?" - já chegaram com sabor de clássicos instantâneos. Por outro lado, não é nada fácil encontrar traços de suas influências na atual geração de bandas ...

Os Smiths foram o último suspiro de originalidade no rock britânico, a última banda relevante da explosão indie e  o último legado da linhagem de Manchester que havia dado Buzzcocks e Joy Division. Seus verdadeiros trunfos estavam em suas excentricidades: conseguiram soar ao mesmo tempo extremamente punk e pop, sem contar o homoerotismo celibatário, sem plumas ou paetês, desconcertante para os padrões da usina de entretenimento infanto-juvenil.

O grupo estava mais que estabelecido no Olimpo do estrelato quando atingiu a maturidade e a perfeição em The Queen ls Dead. O disco implodia de maneira grandiloqüente a enxuta estrutura musical da banda. Uma orquestra de cordas transformando algumas das canções em verdadeiros épicos era o gesto de maior risco. tornando o som dos Smiths mais deslocado no tempo do que nunca. Este era o caso da ultradebochada faixa-título,do romantismo suicida de "There Is A Light That Never Goes Out” e da quase patológica "I Know It"s Over". certamente o momento mais ousado de Morrissey. compondo uma dilacerante canção de amor e adeus para a própria mãe.

A grande surpresa do disco estava. porém, no humor desenfreado. trazendo leveza de alma e os confortos do ceticismo à artilharia pesada que avacalhava a família real sem misericórdia em "The Queen Is Dead": imaginava mortes sádicas para Margaret Thatcher em "Bigmouth Strikes Again"; ridicularizava todos os medíocres do planeta em "Franky Mr. Shankly" e extraía boas gargalhadas da obsessão pelo sexo com a impagável "Some Girls Are Bigger Than Others". Nem um amigo como Howard Devoto - outro grande letrista de Manchester, líder do Magazine - escapou ileso da febre zombeteira que tomou o vocalista dos Smiths. Em "Cemetery Gates", ele compõe um hilariante manifesto narrando um passeio dos dois entre lápides e exibições de erudição, para concluir: "Você tem Keats e Yeats ao seu lado, mas perde/ Porque Oscar Wilde está no meu." A mensagem é fechada,para quem desconhece a literatura inglesa de século passado, mas basta dizer que,celebrando a vitória do mais leviano senso de humor sobre a sisudez, o idealismo e o classicismo,Morrissey resumia em uma cápsula o espírito do disco. Tentando sacudir seus conterrâneos para acordarem de seu "passado glorioso" antes que McDonalds, Pizza Hut, Tom Cruise e Demi Moore tomassem conta, o bufão da agonia fracassou de maneira retumbante. Como popstar. porém, não se deu mal: seus discos solos podem ser irregulares mas nunca entediantes (mesmo perdendo as insuperáveis melodias de Johnny Marr) e suas tumês americanas atraem multidões de adolescentes histéricas. O mesmo não se pode dizer do parceiro-guitarrista que hoje se dedica no derivativo duo Electronic, em que ele e Barney Summer sujam a reputação de Smiths, Joy Division e New Order - isto é, pelo menos 80% do melhor rock de Manchester.

É realmente intrigante para a geração que deixou a adolescência pela chamada idade adulta nos anos 80 (ouvindo coisas como Echo & The Bunnymen e Smiths) estar representada hoje, no megaestrelato, por baba diluída como REM. (afinal, Michael Stipe tietou Morrissey incansavelmente!) e U2 (provando que Brian Eno realmente transforma água em vinho!). Mas, assim como o Oasis xeroca os Beatles, ainda podem surgir alguns moleques ingleses para refrescar a memória coletiva bebendo na fonte de Morrissey e Marr. 


José Augusto Lemos (Revista Bizz, Edição 141, Abril de 1997) 

Tracklist;

00:00 - "The Queen is Dead"
06:24 -"Frankly, Mr. Shankly" 
08:41 -"I Know It's Over" 
14:26 -"Never Had No One Ever"
18:04 -"Cemetry Gates" 
20:46 -"Bigmouth Strikes Again" 
23:58 -"The Boy with the Thorn in His Side" 
27:22-"Vicar in a Tutu"
29:45 -"There Is a Light That Never Goes Out" 
33:41-"Some Girls Are Bigger Than Others"


Desconstruindo o Pop! Playlist 136; 'Mornings are for Coffee and Contemplation' (A Stranger Things Tribute Part 1)

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Desconstruindo o Pop! Playlist 136; 'Mornings are for Coffee and Contemplation' (A Stranger Things Tribute; Part 1)

Tracklist;

01. 'Main Theme', Kylie Dixon & Michael Stein
02. 'She Has Funny Cars', Jefferson Airplane
03. 'White Rabbit', Jefferson Airplane
04. 'Africa', Toto
05. 'Can't Seem to Make You Mine', The Seeds
06. 'Should I Stay or Should I Go?', The Clash
07. 'I Melt With You', The Modern English
08. 'Hazy Shade of Winter', The Bangles
09. 'Tie a Yellow Ribbon Round an Old Oak Tree', The Dawn
10. 'Raise a Little Hell', The Trooper
11. 'Heroes', Peter Gabriel
12. 'Waiting for a Girl Like You', Foreigner
13. 'Atmosphere', Joy Division
14. 'Elegia', New Order
15. 'Nocturnal Me', Echo & The Bunnymen
16. 'Sunglasses at Night', Corey Hart
17. 'The Bargain Store', Dolly Parton
18. 'Fields of  Coral', Vangelis
19. 'When It's Cold I'd Like to Die', Moby
20. 'Go Nowhere', Regan Youth

Música + Cinema; 'Cássia', de Paulo Henrique Fontenelle (Download)

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Música + Cinema; 'Cássia', de Paulo Henrique Fontenelle (Download)
Em determinado momento do documentário Cássia Eller, de Paulo Henrique Fontenelle, o entrevistado Oswaldo Montenegro diz o seguinte sobre a cantora, morta em 2001, aos 39 anos e no auge da carreira: “Cássia desimplicou o Brasil”. O filme faz mais do que repassar as polêmicas e recuperar as nostalgias dos hits e contextualiza a obra de uma artista que conseguiu não só trafegar entre vários estilos como tornou frágeis as barreiras que existem entre a MPB, o rock, o samba de raiz, o pop radiofônico e outras categorias estanques.
Cássia foi um fenômeno até hoje incomparável no pop nacional: começou como uma artista de musicais para depois despontar como uma voz feminina de personalidade dentro do rock brasileiro. De personalidade extremamente tímida e avessa a bajulações, se transformava no palco quase como se baixasse um espírito. Era seu principal modo de comunicação, tanto com o público, quanto com si mesma.
O documentário recupera momentos emblemáticos de Cássia no palco, como o show histórico no Rock In Rio onde tocou “Smell Like Teen Spirit” do Nirvana, até o famoso Acústico MTV, que a tornou uma estrela de primeira grandeza no pop nacional. Mas a maior força do filme são os arquivos esquecidos, recuperados de diversas fontes que mostram a cantora no início da carreira e em muquifos pelo interior, já famosa, onde tocava para pequenas plateias por puro prazer.


É um retrato honesto da cantora e vai além dos clichês alimentados sobre ela. Um olhar que revela uma personagem agressiva e feroz nos palcos e nos discos, mas frágil e delicada no cotidiano. Uma estrela que não conseguiu lidar com sua própria ascensão.



O filme não é brilhante em sua narrativa, mas constrói com delicadeza a evolução musical de Cássia ao passo em que relaciona com sua vida pessoal. Ajudou bastante o fato do apoio que o diretor teve da família da cantora, sobretudo seu filho, Chicão, hoje na casa dos 20 anos. “Lembro de jogar bola com ela, andando de skate. Eu já procurei, essas coisas vão surgindo das minhas conversas com minha mãe (Eugênia) sobre a história. Eu nunca procurei o passado da minha mãe, eu só sei porque ela é minha mãe, as pessoas me contam, perguntam certas coisas, nunca fui pesquisar, acho que não preciso”, lembra ele em um dos momentos mais emocionantes do longa.

Esposa de Cássia, com quem ela viveu por 14 anos, Maria Eugênia Vieira, é peça fundamental no documentário e traz detalhes importantes sobre momentos da carreira da cantora. É sua participação que leva o filme a um outro patamar além do batido “doc musical”, dando uma dimensão humana que engrandece o filme como um todo. Em determinado momento estamos vendo na tela um longa sobre direitos LGBT no Brasil ao reviver o processo que deu a guarda de Chicão para Maria Eugênia. Foi a primeira vez no Brasil que isso aconteceu no Brasil em um contexto de relação homo afetiva. “Cássia foi justa antes da justiça”, lembrou Maria Eugênia.
(http://revistaogrito.ne10.uol.com.br/page/blog/2015/01/29/critica-filme-cassia-eller-de-paulo-henrique-fontenelle/)

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A trilha.
Não foi lançada uma trilha sonora oficial para o documentário. Segue uma playlist com algumas canções que abrangem bem o trabalho de Cássia Eller.

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Favoritas da Casa; Sunny Day Real Estate (Seattle, Washington)

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Favoritas da Casa; Sunny Day Real Estate (Seattle, Washington)
Vamos lá;
Você tem uma banda que soa redondinha nos ensaios e tem canções poderosíssimas. E mais, é da meca musical do momento e está pronta para o sucesso. Tem tudo para dar certo, confere?
O ano é 1994 e a cidade é Seattle. A banda é o Sunny Day Real Estate. O disco, o clássico 'Diary'
Mas, o que aconteceu?
É incrível que com o auge do grunge da época, eles não tenham estourado. Tudo é assobiável e melancólico. Lindo. Tente ouvir e esquecer 'Seven', 'The blankets were the stairs', 'Song about an angel' e a maior de todas, 'In circles'.
Muito se conjecturou do porque a banda implodiu logo após o lançamento do seu álbum de estréia, em 1994. Mas a resposta é basicamente uma; Religião.
Jeremy Enigk, vocalista, guitarrista e compositor da banda se converteu em católico fervoroso e a coisa implodiu no meio das gravações do segundo disco, simplesmente chamado de 'LP2' (ou 'The Pink Album', carinhosamente chamado pelos fãs), que acabou por ser lançado pela Sub Pop mesmo assim.
Logo após a quebra, o baixista Nate Mendel e o baterista William Goldsmith entraram para o Foo Fighters, inicialmente, como membros contratados, para logo após, serem efetivados na banda.
Quando o Sunny Day resolveu se reagrupar, Mendel optou pelos Foo's e a banda lançou 'How It Feels To Be Something On', em 1998, um trabalho que inicialmente nasceu como um álbum solo de Enigk.
Mais dois trabalhos foram lançados; o ao vivo 'Live', em 1999 e 'The Rising Tide', em 2000 .
Depois desse trabalho, a banda novamente entrou em hiato.
Recentemente, outra tentativa de reforma veio, mas infelizmente não aconteceu. Dessas sessões, um single para 'Lipton Switch' foi lançado no Record Store Day, sem muito alarde.
O sucesso não veio e nunca virá. O Sunny Day Real Estate continuará sendo para poucos sortudos.






Mais informações;

Yehan Jehan (Londres, Inglaterra)

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Yehan Jehan (Londres, Inglaterra)

E se o Tame Impala de Kevin Parker na verdade fosse um projeto solo de um menino refugiando de Saravejo, radicado na cosmopolita Londres. One-Man Band. Os resultados poderiam muito bem soar como o álbum de estréia Yehan Jehan, um moleque de 23 anos.

O projeto ainda engatinha, mas está sendo chamado de coisa mais cool do ano pelos jornalistas Ingleses, sedentos por next big things desde sempre.

As canções são cool o suficiente e o álbum ainda nem título tem, mas já está destinado a ser um dos álbuns do ano. Trilha de verão mesmo, rodando os festivais em palcos secundários.'Canções luxuriante dispostas sobre angústia e ansiedade modernas típicas da idade' escreveu alguém. Boa definição

Confira;




Discoteca Básica; 'Dusty In Memphis', Dusty Springfield (1969)

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Discoteca Básica; 'Dusty In Memphis', Dusty Springfield (1969)


Considerando o que Mary O´Brien cantava na adolescência ela deveria ter se tornado, na melhor das hipóteses, uma Carolyn Hester - cantora folk, que teve seu apogeu na década de 60- da era beat. Mary gostava de folk e quis o destino que, fazendo parte do trio The Springfields, integrasse o primeiro grupo vocal/instrumental inglês a entrar na parada musical americana. 

Em 1963, Mary O´Brien adotou o nome de Dusty Springfield e deslanchou uma carreira solo de sucesso, chegando a ser considerada "a melhor cantora de rock que a Grã-Bretanha já produziu." Mas, verdade seja dita, Dusty Springfield sequer é uma cantora "de rock". Ela tem uma qualidade raríssima entre os cantores brancos: Dusty tem soul. Pega um standard surrado e nocauteia o ouvinte, deixando-o prostrado de emoção. Em três anos, a cantora inundou as paradas com uma corrente de hits, como os clássicos pop "I Only Want To Be With You", "Stay Awhile" e "Wishin´ And Hopin´". Outro sucesso da época foi "You Don´t Have To Say You Love Me", que pôs Pino Donaggio no alto das paradas na Inglaterra (primeiro lugar) e EUA (quarto lugar) em 1966.

Em novembro de 1968, Dusty apareceu espetacularmente com "Son Of A Preacher Man", um single irretocável, imaculado, que se transformou num clássico da soul music. A música era o anúncio do álbum Dusty In Memphis, gravado com os músicos que vinham fazendo o máximo em matéria de música negra, acompanhando luminares como Wilson Pickett. A idéia era emular o som de Aretha Franklin e da Atlantic Records da época tanto que, além do estúdio e dos músicos, foram contratados os produtores responsáveis pelo som de Aretha, o trio Jerry Wexler, Tom Dowd e Arif Mardin.

Dusty não cai na armadilha de fazer toda aquela ginástica no gogó, para não virar um pastiche. Dá a volta, canta suave, põe muito mais sentimento (soul) do que técnica, brincando com o ritmo, atrasando o tempo das canções. As cantoras brancas daquela e de outras épocas têm de engolir esta: quem melhor capturou o sentido, compreender o sentimento e reinterpretar a soul music dos anos 60 foi uma roceira inglesa, cafoníssima, com penteado "bolo de noiva" e quilos de maquiagem nos olhos. 

René Ferri (Revista Bizz, Edição 140, Março de 1997) 

Tracklist:

01. Just a Little Lovin' 00:00
02. So Much Love 02:19
03. Son of a Preacher Man 05:50
04. In the Land of Make Believe 08:19
05. Don't Forget About Me 10:50
06. Breakfest in Bed 13:42
07. Just One Smile 16:38
08. The Windmills of Your Mind 19:21
09. I Don't Want to Hear It Anymore 23:12
10. No Easy Way Down 26:22
11. I Can't Make It Alone 29:33