Heat (Montreal, Canada)

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Heat (Montreal, Canada)

Partes de The Radio Dept, Jesus & Mary Chain, Pavement e The Strokes, com uma pitada do sol Montreal... E entender o poder das pequenas coisas, como uma fração de segundo explosão de guitarra meticulosamente planejado e executada irregularmente pode fazer uma boa música, de repente tornar-se grande. Eles também são muito úteis quando se trata de insultos vocais no estilo Lou Reed, e com tudo isso posto, entraram na minha mira de novas bandas em 2014.

Vamos com o primeiro vídeo deles, 'Rooms', que saiu em um EP no início deste ano. Confira;



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Discoteca Básica; 'King of the Delta Blues Singers ',Robert Johnson (1998)

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Discoteca Básica; 'King of the Delta Blues Singers ',Robert Johnson  (1998)  


No quarto de um hotel de segunda, em San Antonio, Texas, o garoto negro, alto, magro e elegante senta-se voltado para a parede, um enorme microfone à sua frente, o violão de aço National-Steel sobre o joelho. Um fio corre pelo chão de madeira até o outro quartinho, onde, concentrados, atentos, maravilhados, dois homens brancos de meia-idade manipulam pesados gravadores de rolo. Faz frio, uma fria noite de novembro de 1936. 

Olhos fechados, o garoto toca - alguém na sala de controle comenta que não é possível: deve haver mais alguém com ele no quarto. Como é que estamos ouvindo acompanhamento e solo ao mesmo tempo? Mais que isso - que tristeza, que tristeza infinita, que doçura angustiada nessas cordas. O garoto canta, uma voz aguda e ligeiramente fanhosa, e a primeira impressão é de transe, trânsito, fuga, como capturar o vento. Depois, abre-se um universo escuro, um poço das mais absolutas paixões - cada blue é curto, curto, dois minutos e pouco, cantado com quem perseguisse ou fosse perseguido. Nem amor, nem desejo, nem desespero: um pouco de cada uma dessas emoções e mais alguma outra coisa, alguma coisa que remonta à mais básica humanidade, fatalidade, destino, morte.

O garoto é Robert Johnson, 25 ano, nascido (presumivelmente) no vilarejo de Hazelhürst, Mississipi. Os homens são o pesquisador John Hammond e o então diretor artístico da gravadora Columbia, Don Law. O que eles estão gravando é a primeira parte do único registro da obra do virtual do cristalizador do blues moderno; um ano depois, num "estúdio" improvisado no galpão de um prédio em Dallas, Texas, Hammond e Law fariam uma segunda sessão. Quando, cinco meses depois, Hammond desceu de Nova York ao Sul em busca de Johnson para um grande concerto de blues programado para o Carnegie Hall, voltou apenas com a notícia: ele morrera em circunstâncias misteriosas, aos 27 anos, possivelmente assassinado por veneno, por alguma amante vingativa ou por algum marido ciumento. Isso é blues, baby.
Os dois LPs obtidos dessas sessões são, até hoje, os mais importantes discos de blues que existem, álbuns de cabeceira de Eric Clapton, Jimmy Page, Jeff Beck, John Mayall, Pete Townshend, Ron Wood, Keith Richards, Mick Jagger, Elvis Costello, Nick Cave. Neles estão blues gravados infinitas vezes por artistas contemporâneos - "Love in Vain", "Crossroads Blues", "Terraplane Blues", "Me and the Devil Blues", "RamblinÕ on My Mind", "Stop Breaking Down". Estão neles, também, dezenas de licks - fraseados solistas da guitarra - e riffs - séries de compassos rítmicos -, copiados nota a nota, milhares de vezes, por dúzias de músicos de blues, de jazz, de heavy metal, de rhythm'n'blues, de rock de todas as tendências. E está nesses discos, sobretudo, uma das poesias mais intensas e ousadas da história da cultura popular internacional. Clichê algum descreve a negra lira de Robert Johnson: não se trata de "lamento de raça", não se trata de "hino da salvação", não se trata de "lirismo popular". 

Trata-se de um mergulho sem amarras nos mais escuros desvãos da alma humana, lá onde mora o verdadeiro devil, o que comercia com as paixões, propõe negócios irremediáveis e não aceita tréguas. Havia uma lenda, já durante o tempo em que Johnson vivia, de que ele teria feito um "pacto com o diabo" em troca de seu notável talento com a música e sucesso com as mulheres. Vista de outro ângulo, a lenda vive: era com seu mais íntimo diabo, aquele que o mundo branco das leis e das normas trata de suprimir, que ele dialogava em seus blues.
E em seus blues resume-se sua biografia. Robert Johnson nasceu, amou, tocou, morreu. No espaço de 27 anos. Nos dois minutos de um blues.

Ana Maria Bahiana (Revista Bizz edição 17, Dezembro de 1986)

Tracklist;

1. Cross Road Blues 
2. Terraplane Blues 
3. Come On In My Kitchen 
4. Walkin' Blues 
5. Last Fair Deal Gone Down 
6. 32-20 Blues 
7. Kind Hearted Woman Blues 
8. If I Had Possession Over Judgement Day 
9. Preachin' Blues (Up Jumped The Devil) 
10. When You Got A Good Friend 
11. Ramblin' On My Mind 
12. Stones In My Passway 
13. Traveling Riverside Blues 
14. Milkcow's Calf Blues 
15. Me And The Devil Blues 
16. Hell Hound On My Trail


Desconstruindo o Pop! Playlist 44; 'All it takes is one bad day to reduce the sanest man alive to lunacy'

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Desconstruindo o Pop! Playlist 44; 'All it takes is one bad day to reduce the sanest man alive to lunacy';

Tracklist;

01. Say Something, Say Anything', Blood Red Shoes
02. 'Exposure', Widower
03. 'I'm Leaving Your For Solitude', Manic Street Preachers
04. 'Riot Rhythm', Sleight Bells
05. 'Inside Out', Spoon
06. 'Forget About It', Lissy Trullie
07. 'Sad Love', Crooked Fingers
08. 'Factories', Winter Gloves
09. 'Quit Hiding', Radio 4
10. 'Self Machine', I Blame Coco
11. 'I'm a Fly', Laura Marling
12. 'LAX', Hot Snakes
13. 'Free Energy', Free Energy
14. 'Desire', Thieves Like Us
15. 'I Feel Electric', Rubies
16. 'Strangenecks', Cultfever
17. 'Round and Round', Ariel Pink's Haunted Graffiti
18. 'Go Home', Bad Veins
19. 'Neverest', Hey Champ!
20. 'The Whip', Locksley


Música para Sentir; 'Teardrop', Massive Attack (1998)

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Música para Sentir; 'Teardrop', Massive Attack (1998)
Tum... Tum... Tum...
Coração. De novo. De novo. Sangue acelerado tentando te aquecer. Dias frios. Vozes etéreas.
Hipnose pelo canto. Os ventos uivam sem direção e o meu corpo pára. Pára esperando pelo coração. Tum... Tum... Tum...
Esvaziado do medo, seguindo pelo caminho do amor. Escolhas e perdas. Encontros e desencontros. Dia vira noite num piscar. Mas o coração não para. Por quê não? Ás vezes, é melhor deixar tudo cair de uma só vez.
Tum... Tum... Tum...
Pare.
Justifique o seu dia. Pense em mim novamente. Lembre do que te faz chorar. Ás vezes, o vazio está aqui esperando, sentado ao lado da alegria. Olhe ao redor e lembre-se que você está sozinho. Sozinho. Descolorido e sem voz para gritar seu nome.
Meu coração nunca para. Será o amor? Será o calor? O veneno que escorre das minhas veias é saboroso. O tempo não pára pra mim. Corre como o vento. Corre como sangue. Tum... Tum... Tum...
Silêncio.
Um anjo me diz que cambaleando eu cairei... cambaleando eu cairei. Sim. E o coração não vai parar...

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Shows Completos; The Killers, ao vivo no Lollapalooza Brasil 2013 - São Paulo, SP

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Shows Completos; The Killers, ao vivo no Lollapalooza Brasil 2013 - São Paulo, SP

Umas das bandas mais amadas e ao mesmo tempo odiadas do Pop Rock atual, o Killer é herdeiro direto da sonoridade de bandas grandes, como U2 e Queen Desavergonhadamente, fazem músicas para grandes multidões cantarem em uníssono, alto e intenso.

Em 2013, a banda veio mais uma vez ao Brasil para o Lollapalooza e fez um dos shows mais celebrados do festival.

Confira o set list e o vídeo com o show completo.

Set List (clique no atalho para ir direto a faixa que quiser);

1 - Mr. Brightside - 0:50
2 - Spaceman - 4:50
3 - The Way It Was - 10:20
4 - Smile Like You Mean It - 16:40
5 - Miss Atomic Bomb - 21:00
6 - Human - 25:50
7 - Somebody Told Me - 30:00
8 - For Reasons Unknown - 35:00
9 - From Here On Out - 41:00
10 - A Dustland Fairytale - 45:20
11 - Read My Mind - 51:00
12 - Runaways - 55:40
13 - All These Things That I've Done - 1:00:40
14 - This Is Your Life - 1:09:20
15 - Jenny Was a Friend of Mine - 1:13:10
16 - When You Were Young - 1:17:45


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Demob Happy (Brighton, Inglaterra)

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Demob Happy (Brighton, Inglaterra)

Baseados na pungente e litorânea Brighton, na Inglaterra, o Demob Happ é uma das mas bacanas bandas novas britânicas do ano. Donos de um show suado e rouco, a banda faz um som garageiro punk sujo e divertidíssimo e vem nessa leva de moleques que tem o Grunge de Seattle como referência maior. Um achado dos bons sons.

Confira o video da sensacional 'Suffer You' e a página da banda no Soundcloud.



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Discoteca Básica; 'Greatest Hits', Al Green (1975)

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Discoteca Básica; 'Greatest Hits', Al Green (1975)


A cidade de Memphis, no Tennessee, é um ponto crucial na história do blues, rock'n'roll e, posteriormente, do soul. Desde a chegada de bluesmen como B.B.King e Howlin Wolf no final dos anos 40, passando pela lendária gravadora Sun - fundada em 52 pelo DJ Sam Phillips, na qual se revelaram Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis - até o conglomerado Stax/Volt, panteão sagrado do soul nos anos 60 (Booker T. And The MG's, Otis Redding, Sam And Dave, Wilson Pickett etc.), a cena local sempre foi de uma riqueza impressionante.
Esta tradição continuaria durante a década de 70 com a gravadora Hi, criada em 56 pelo empresário Joe Cuoghi, no rastro do sucesso da Sun. De início dedicada apenas a números instrumentais a companhia firmou-se realmente na primeira metade dos anos 60, com os primeiros hits. Mas a ascensão definitiva da Hi viria com a integração do trompetista Willie Mitchell ao seu cast.
Figura-chave no álbum musical de Memphis, Mitchell cultivava excelente reputação no circuito de blues e jazz, tanto por seu talento de instrumentista e band leader, como enquanto compositor, arranjador e produtor. Em pouco tempo, ele se firmou como o segundo homem da Hi, influindo diretamente na mudança das diretrizes musicais da gravadora - que passou a trabalhar também com vocalistas como O.V.Wright, Bobby Bland e Ann Peebles. Porém, Mitchell ainda não tinha encontrado "sua voz".


Ela surgiu casualmente em fins de 68, quando sua banda se apresentava em Midland, Texas. O show de abertura cabia a um tal de Albert Greene, cantor semi-obscuro de formação gospel - como a de seu ídolo, Sam Cooke - que tinha conseguido apenas um modesto hit ("Back Up Train"). Fascinado pelo timbre vocal do rapaz, Mitchell imediatamente convidou-o para ir a Memphis, prometendo "transformá-lo num astro em dezoito meses". 

Um ano e meio depois, provou-se que Mitchell tinha razão. O cantor - já como Al Green - emplacava seu primeiro hit: uma releitura de "I Can't Get Next To You", dos Temptations. Seu lançamento, em julho de 70, coincidiu com a morte de Cuoghi, que fez com que Mitchell assumisse plenamente a Hi.
Era o início de uma nova era do soul: sob seu comando, ele reuniu uma poderosa seção rítmica, mesclada com arranjos de metais e cordas que ora apareciam em delicadas intervenções, ora conduziam os riffs "forrando" a melodia. Ë frente desta perfeita cama musical, a voz de Green deslizava entre o sussurro e a suavidade extrema, até os falsetes mais rasgados. Com esta combinação, a dupla Green/Mitchell - com eventuais colaborações do baterista Al Jackson (ex-MG's) - lapidou jóias do quilate da ultraclássica "Let's Stay Together", "I'm Still In Love With You", "Call Me (Come Back Home)" e outras presentes nesta compilação do período áureo de sua carreira (70/75).
Nos anos seguintes, uma série de dramas pessoais e crises de consciência - que inclusive puseram fim à parceria com Mitchell - fizeram com que Green se afastasse gradualmente do star system e se reconciliasse com suas convicções religiosas, tornando-se pastor em 76 e adentrando os anos 80 gravando hinos de fé.
Como derradeiro legado de sua "fase profana", ficou apenas mais um LP absolutamente brilhante - "The Belle Album", de 77 - e a certeza de que sua voz imprimiu marcas inauditas na música pop, celebrando a sacralização do amor via apelo sexual. God bless you, Al... 


Celso Pucci (Revista Bizz, Edição 69, Abril de 1991) 

Tracklist;

01. Tired of Being Alone
02. Call Me (Come Back Home)
03. I'm Still in Love With You
04. Here I Am (Come and Take Me)
05. Love and Happiness
06. Let's Stay Together
07. I Can't Get Next to You
08. You Ought to Be With Me
09. Look What You Done for Me
10. Let's Get Married
11. Livin' for You
12. Sha La La (Make Me Happy)
13. L-O-V-E (Love)
14. Full of Fire
15. Belle



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