Música para Sentir; 'Nude', Radiohead (2007)

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Música para Sentir; 'Nude', Radiohead (2007)

(Manual prático de sobrevivência alienígena)

O ontem sempre parece triste. Ignorar?

Por que?


Tranquilo.Ser criticado e ser sempre igual. Mudar pra ser igual. Criticado para mudar. Querer mudar e criticar. Improvisar. 


Não vou mudar
.Esse sou eu, é meu jeito... Não vou conseguir mudar a minha personalidade.


Ninguém quer.
 Infelizmente, esse é o meu melhor... Não consigo mudar pra melhor... 
Se me quiser, vai ter que ser assim.
 


Qualidades e defeitos, como todo mundo.
 

Ser um ator.
 Atuar. Agradar.
Então... Foda-se. 
Eu aceito...


Mas eu não vejo saída. Não consigo deixar de ser eu mesmo
.Tabelinhas montadas. E eu não vou ser outra pessoa. Não vai mudar... 
Porque é o que nós somos e acreditamos...
 
É um trabalho, não é a minha vida
.É sim... 
As críticas são sempre as mesmas.
 
Minha improvisação é uma fórmula.
 Atenção; Não quero ser o melhor...
Trabalhar, ganhar dinheiro, ir embora....
 
Eu nunca vou ser fantástico. E esse é o meu melhor.
Não ter medo é ser melhor
Aceitar a minha mediocridade. Aceitar que não somos especiais  e nem importantes.É libertador. Libertador é ser sortudo.

A Vida mostra os caminhos pra você seguir.
 
Senão, tudo num ponto se torna frustrante.


A vida é medíocre .. Olha pra rua... Olha pra sua mãe lavando louça e assistindo TV o dia inteiro. Olha pro meu pai de fralda depois de 60 anos tentando ser alguém... Olha pro seu chefe.... Isso é um objetivo? 


Eu sou mediano, medíocre e sincero.
 Sou melhor porque aceito. Ninguém aceita. Esperam algo.


Se acham importantes. 
Pensam que merecem mais. Reconhecimento. Dinheiro. Amor.


Você é muito simplista!


Trabalho é trabalho. Trabalho é fonte de renda. 
Trabalho é de onde você tira dinheiro pra fazer aquilo que realmente gosta.
 
Porque você nunca se sentirá completo no trabalho.


Sempre vai ter alguma coisa que vai te magoar, vai te deixar desanimado.Pessoas, situações, reconhecimento, humilhação.Eu acredito muito em mim.
Posso fazer qualquer coisa que eu quiser. Se eu ver um objetivo. 
Mas ser medíocre é tirar um peso das costas.


Aceite a sua!
 


Olhe um dia pro espelho e diga... 'A vida é isso mesmo!'
 Tudo o que vier será melhor.
Mas não.
 Acho que as pessoas tem que te descobrir... Ver o quanto você é legal!
Você não é legal e nem bom.
 Aceite!


Se auto-destrua e se reconstrua.

Passei muito tempo encalhado. Parei de ficar ofendido. 
Você também se machuca. Essa ideia não é minha. E isso não é sobre você...
 
Eu sou um produto do meu meio. Um produto das porradas que levei...

Eu sou a falta de esforço, o desprezo pelo trabalho...


É fácil me odiar.
Refletir algo que ninguém gosta de ver. 
Me amar é difícil. Ser meu amigo é difícil.
E como eu posso tentar ser feliz com as coisas que desprezo?

Eu nunca vou me encaixar no que desprezo. 
Não é questão de esforço, é questão de natureza.
 
A palavra é violenta. Um ato é violento. Um olhar é violento. 

E essas são as minhas qualidades.
 A palavra, o olhar e o ato... No resto, eu sou medíocre.


E sempre vou ser... 

Não quero meu nome na história, não quero mandar em ninguém. Nem exemplo.
 Quero viver a minha. 




O Maravilhoso Mundo das Capas de Disco; 'The Velvet Underground & Nico', The Velvet Underground (1967)

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O Maravilhoso Mundo das Capas de Disco; 'The Velvet Underground & Nico', The Velvet Underground (1967)

Outro capa que se tornou parte da cultura popular em todo o mundo. 

Certamente, porque em primeiro lugar, é um disco brilhante. E certamente também por causa da fama de Andy Warhol. Mas também porque era uma grande peça de design. Uma ilustração bonita do pintor, e uma brilhante ideia: A banana com uma etiqueta que você pode 'descascar' como uma de verdade, como indicado pela linha 'Peel slowly and see' ('descasque lentamente e veja'). Seja qual for a interpretação que você pode imaginar;-) 

Uma ideia bastante inovadora: uma capa interativa onde sua ação é parte do art pop. 

Simplesmente brilhante.



A contracapa era bastante simples, com a sua tipografia básica, em um show e os membros da banda retrato típicos dos anos sessenta. Na época, a banda usava filmes de Warhol durante o show, projetados sob a banda. Outra novidade até então. O ator, Eric Emerson, ameaçou processar sobre este uso não autorizado de sua imagem (seu torso para ser preciso). Em vez de pagar, a MGM decidiu parar a distribuição e recolher todas as cópias existentes, até que imagem fosse trocada. E para os exemplares já vendidos, uma grande etiqueta preta foi afixada em cada um delas! 

Uma cópia original desta fita sem a tarja hoje custa não menos que 2.000 dólares...


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Disco da semana; "No More Shall We Part" Nick Cave & The Bad Seeds (2001);

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Disco da semana;  "No More Shall We Part" Nick Cave & The Bad Seeds (2001);

Oriundo da banda mezzo-punk performática britânica Birthday Party, Nick Cave montou os Bad Seeds pra uma única coisa; Cortar corações.E aqui, ele alcançou seu ápice.
"No More Shall We Part" é um funeral. Carregado de climas soturnos e lúgubres, mas, ao mesmo tempo, românticos, singelos e encandecestes  Parecem opostos? Pois nessa desconexão que o disco brilha. Como os olhos de um vampiro, é verdade...
Gravado depois de um iato de quatro anos do seu anterior, o ótimo "The Boatman's Call", todas as músicas tem uma sofisticação instrumental linda. Pianos, xilofones, violinos... Mas é na voz e nas letras de Cave que o arrepio começa. Já na abertura com "As I Sat Sadly by Her Side". Um relato de um homem ao lado da sua mulher morta. Pesado? Não! Então tente "And No More Shall We Part", a faixa-título, e tente não imaginar algo menos pesado que um suicídio. Ou duas almas gêmeas se separando.
"Hallelujah" (não é a famosa de Leonard Cohen) e sua descrição de um paciente insano. A corta-pulsos e enxuga lágrimas "Love Letter", uma das mais lindas músicas já feitas.
O disco segue essa toada; "God Is In The House", "Sweetheart Come" até o seu fechamento com "Darker With The Day"... Nada menos que o escuro no final.
Um vinho tinto. Um filme em preto e branco. Um lenço acostumado a lágrimas.
Tracklist;
  1. As I Sat Sadly By Her Side
  2. And No More Shall We Part
  3. Hallelujah
  4. Love Letter
  5. Fifteen Feet Of Pure White Snow
  6. God Is In The House
  7. Oh My Lord
  8. Sweetheart Come
  9. The Sorrowful Wife
  10. We Came Along This Road
  11. Gates To The Garden
  12. Darker With The Day

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Heat (Montreal, Canada)

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Heat (Montreal, Canada)

Partes de The Radio Dept, Jesus & Mary Chain, Pavement e The Strokes, com uma pitada do sol Montreal... E entender o poder das pequenas coisas, como uma fração de segundo explosão de guitarra meticulosamente planejado e executada irregularmente pode fazer uma boa música, de repente tornar-se grande. Eles também são muito úteis quando se trata de insultos vocais no estilo Lou Reed, e com tudo isso posto, entraram na minha mira de novas bandas em 2014.

Vamos com o primeiro vídeo deles, 'Rooms', que saiu em um EP no início deste ano. Confira;



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Discoteca Básica; 'King of the Delta Blues Singers ',Robert Johnson (1998)

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Discoteca Básica; 'King of the Delta Blues Singers ',Robert Johnson  (1998)  


No quarto de um hotel de segunda, em San Antonio, Texas, o garoto negro, alto, magro e elegante senta-se voltado para a parede, um enorme microfone à sua frente, o violão de aço National-Steel sobre o joelho. Um fio corre pelo chão de madeira até o outro quartinho, onde, concentrados, atentos, maravilhados, dois homens brancos de meia-idade manipulam pesados gravadores de rolo. Faz frio, uma fria noite de novembro de 1936. 


Olhos fechados, o garoto toca - alguém na sala de controle comenta que não é possível: deve haver mais alguém com ele no quarto. Como é que estamos ouvindo acompanhamento e solo ao mesmo tempo? Mais que isso - que tristeza, que tristeza infinita, que doçura angustiada nessas cordas. O garoto canta, uma voz aguda e ligeiramente fanhosa, e a primeira impressão é de transe, trânsito, fuga, como capturar o vento. Depois, abre-se um universo escuro, um poço das mais absolutas paixões - cada blue é curto, curto, dois minutos e pouco, cantado com quem perseguisse ou fosse perseguido. Nem amor, nem desejo, nem desespero: um pouco de cada uma dessas emoções e mais alguma outra coisa, alguma coisa que remonta à mais básica humanidade, fatalidade, destino, morte.

O garoto é Robert Johnson, 25 ano, nascido (presumivelmente) no vilarejo de Hazelhürst, Mississipi. Os homens são o pesquisador John Hammond e o então diretor artístico da gravadora Columbia, Don Law. O que eles estão gravando é a primeira parte do único registro da obra do virtual do cristalizador do blues moderno; um ano depois, num "estúdio" improvisado no galpão de um prédio em Dallas, Texas, Hammond e Law fariam uma segunda sessão. Quando, cinco meses depois, Hammond desceu de Nova York ao Sul em busca de Johnson para um grande concerto de blues programado para o Carnegie Hall, voltou apenas com a notícia: ele morrera em circunstâncias misteriosas, aos 27 anos, possivelmente assassinado por veneno, por alguma amante vingativa ou por algum marido ciumento. Isso é blues, baby.

Os dois LPs obtidos dessas sessões são, até hoje, os mais importantes discos de blues que existem, álbuns de cabeceira de Eric Clapton, Jimmy Page, Jeff Beck, John Mayall, Pete Townshend, Ron Wood, Keith Richards, Mick Jagger, Elvis Costello, Nick Cave. Neles estão blues gravados infinitas vezes por artistas contemporâneos - "Love in Vain", "Crossroads Blues", "Terraplane Blues", "Me and the Devil Blues", "RamblinÕ on My Mind", "Stop Breaking Down". Estão neles, também, dezenas de licks - fraseados solistas da guitarra - e riffs - séries de compassos rítmicos -, copiados nota a nota, milhares de vezes, por dúzias de músicos de blues, de jazz, de heavy metal, de rhythm'n'blues, de rock de todas as tendências. E está nesses discos, sobretudo, uma das poesias mais intensas e ousadas da história da cultura popular internacional. Clichê algum descreve a negra lira de Robert Johnson: não se trata de "lamento de raça", não se trata de "hino da salvação", não se trata de "lirismo popular". 

Trata-se de um mergulho sem amarras nos mais escuros desvãos da alma humana, lá onde mora o verdadeiro devil, o que comercia com as paixões, propõe negócios irremediáveis e não aceita tréguas. Havia uma lenda, já durante o tempo em que Johnson vivia, de que ele teria feito um "pacto com o diabo" em troca de seu notável talento com a música e sucesso com as mulheres. Vista de outro ângulo, a lenda vive: era com seu mais íntimo diabo, aquele que o mundo branco das leis e das normas trata de suprimir, que ele dialogava em seus blues.
E em seus blues resume-se sua biografia. Robert Johnson nasceu, amou, tocou, morreu. No espaço de 27 anos. Nos dois minutos de um blues.

Ana Maria Bahiana (Revista Bizz edição 17, Dezembro de 1986)

Tracklist;

1. Cross Road Blues 
2. Terraplane Blues 
3. Come On In My Kitchen 
4. Walkin' Blues 
5. Last Fair Deal Gone Down 
6. 32-20 Blues 
7. Kind Hearted Woman Blues 
8. If I Had Possession Over Judgement Day 
9. Preachin' Blues (Up Jumped The Devil) 
10. When You Got A Good Friend 
11. Ramblin' On My Mind 
12. Stones In My Passway 
13. Traveling Riverside Blues 
14. Milkcow's Calf Blues 
15. Me And The Devil Blues 
16. Hell Hound On My Trail


Desconstruindo o Pop! Playlist 44; 'All it takes is one bad day to reduce the sanest man alive to lunacy'

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Desconstruindo o Pop! Playlist 44; 'All it takes is one bad day to reduce the sanest man alive to lunacy';

Tracklist;

01. Say Something, Say Anything', Blood Red Shoes
02. 'Exposure', Widower
03. 'I'm Leaving Your For Solitude', Manic Street Preachers
04. 'Riot Rhythm', Sleight Bells
05. 'Inside Out', Spoon
06. 'Forget About It', Lissy Trullie
07. 'Sad Love', Crooked Fingers
08. 'Factories', Winter Gloves
09. 'Quit Hiding', Radio 4
10. 'Self Machine', I Blame Coco
11. 'I'm a Fly', Laura Marling
12. 'LAX', Hot Snakes
13. 'Free Energy', Free Energy
14. 'Desire', Thieves Like Us
15. 'I Feel Electric', Rubies
16. 'Strangenecks', Cultfever
17. 'Round and Round', Ariel Pink's Haunted Graffiti
18. 'Go Home', Bad Veins
19. 'Neverest', Hey Champ!
20. 'The Whip', Locksley


Música para Sentir; 'Teardrop', Massive Attack (1998)

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Música para Sentir; 'Teardrop', Massive Attack (1998)
Tum... Tum... Tum...
Coração. De novo. De novo. Sangue acelerado tentando te aquecer. Dias frios. Vozes etéreas.
Hipnose pelo canto. Os ventos uivam sem direção e o meu corpo pára. Pára esperando pelo coração. Tum... Tum... Tum...
Esvaziado do medo, seguindo pelo caminho do amor. Escolhas e perdas. Encontros e desencontros. Dia vira noite num piscar. Mas o coração não para. Por quê não? Ás vezes, é melhor deixar tudo cair de uma só vez.
Tum... Tum... Tum...
Pare.
Justifique o seu dia. Pense em mim novamente. Lembre do que te faz chorar. Ás vezes, o vazio está aqui esperando, sentado ao lado da alegria. Olhe ao redor e lembre-se que você está sozinho. Sozinho. Descolorido e sem voz para gritar seu nome.
Meu coração nunca para. Será o amor? Será o calor? O veneno que escorre das minhas veias é saboroso. O tempo não pára pra mim. Corre como o vento. Corre como sangue. Tum... Tum... Tum...
Silêncio.
Um anjo me diz que cambaleando eu cairei... cambaleando eu cairei. Sim. E o coração não vai parar...

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